Sexta-Feira, o começo (Post casado com Radioagência)
Depois da noite do
Gala Dinner, a sexta-feira. Dia do primeiro dia do
North Sea Jazz Festival, o mais importante e prestigiado festival de jazz da Europa. Pouca gente sabe disso aqui no Brasil. Os músicos o sabem: é uma honra ser convidado a fazer parte da programação oficial. Abre portas, dá prestígio - mundial - enfim, é tudo de bom.
Foi com esse espírito que acordei na manhã de sexta. Impossível escapar do clima diferente da cidade. Até mesmo porque estava hospedado no
Golden Tulip, hotel maravilhoso e 'oficial' do evento, a convite da organização do
North Sea.
No
Golden estavam hospedados músicos importantíssimos e, já no breakfest, o tempero era musical: músicos americanos, canadenses, australianos, holandeses, managers, repórteres da imprensa musical, amantes do jazz, conversando animadamente sobre um único assunto, o
North Sea.
Depois do café fui atrás de minha credencial de imprensa. Problemas à vista, meu nome não constava do credenciamento. Contava sim, mas apenas como 'Artist Productor'. Essa condição era maravilhosa, me dava acesso em qualquer backstage e outras mordomias. Mas não poderia gravar entrevistas e fotografar. E agora?
Mr Sanders ficou vermelho de vergonha e prometeu me ajudar. Enquanto isso...
Enquanto isso fui cuidar da minha turma. Minha turma era o
Michel Freidenson Brasilian Jazz Quartet. Arrumei a credencial para os quatro, providenciei transporte para o festival, chequei o cronograma e, principalmente, me garanti para que nenhum dos quatro se perdesse de mim.
Michel Freidenson, "macaco velho", me alertou: fica de olho no
Duda. Ok, boss. De olho no
Duda fiquei. E não é que por volta de meio-dia o baterista evaporou? Procuro em todo lugar e nada. A van nos apanharia 17 hs no saguão do hotel. No desespero, deixei um bilhete no quarto, "
Duda, por favor esteja pronto, com roupa do show, 16:45 no lobby". Algum tempo depois, recebo um bilhete. "
Enio, fui passear e volto 15:00 hs. Duda". Meu Deus. Passear onde?
Mas tudo aconteceu direitinho.
Duda Neves,
Márcio Montarroyos,
Silvinho Mazzuca e
Michel Freidenson estavam pontualmente 16:45 no lobby. E de lá fomos nós para o 'soundcheck'. Som passado - muito bom, por sinal - e com os nervos à flor da pele, esperamos pelo começo do show, marcado para 18:30.
Quando os quatro entraram no palco, a sala estava tomada. Nenhuma poltrona vaga. Com meia hora de show, havia mais gente, agora também sentada no chão. Ao final do show, tinha gente querendo entrar de qualquer jeito e não conseguindo. Resumindo, foi um sucesso.
Foi lindo o que
Michel e seus companheiros fizeram no palco. Todos os solos foram aplaudidos entusiasticamente, o repertório escolhido deixou os 'gringos' de boca aberta. Os quatro estavam inspirados além do normal.
Michel, virtuoso, fez um solo de piano em Jes Sui Desoleé de ouvir de joelhos. Eu aprovei - quem sou eu? -, o público saiu da sala feliz.
Por cobrir os três dias do festival, várias outras vezes passei por aquela mesma sala, a
Mariszaal. E nunca a vi tão cheia e feliz como na apresentação brasileira.
De lá, ainda sem credencial, passei pelos shows de
I Compani, do mestre
Dave Brubeck,
Richard Bona,
Santana e
Ed Motta. Todos, sem exceção, me emocionaram. Como não me arrepiar ouvindo Take Five com mestre
Brubeck, ali na minha frente em carne e osso? Ele tocou junto com o não menos lendário saxofonista e flautista
Bobby Militello. Mitos, gente.
Santana tocou no
Statenhal, gigantesco e com clima de show ao ar livre. Um público movido a cerveja e um
Santana tocando de maneira sincera e apaixonada fez, com tudo isso somado, um começo de noite 'caliente'. O repertório foi basicamente do multiplatinado
Supernatural. Bacana demais.
Richard Bona tocou baixo, cantou e brincou como criança. Fusion + Africa.
Ed Motta eu peguei já no final, com público pedindo bis. No camarim, um monte de gente assediando o tijucano. Empresários, holandesas lindas e maravilhadas com o 'brazilian groove', imprensa e eu. "
Ed, quero uma entrevista". Ele, "
Enio, vou correr daqui pra ver se pego ainda um pedacinho do show do Andy Bey. Vamos fazer amanhã, cara..."
Ok, claro. Mas
Ed não conseguiu assistir
Bey: no caminho foi parado pela turma da
Radio West, que o arrastou para uma entrevista ao vivo. Eu, pelo menos, consegui a minha também, aqui publicada no
RA.
Com o coração brasileiro feliz, corri para o hotel para tentar escrever o que tinha visto naquela noite, já que não pude gravar nada lá. As poucas fotos que tinha fiz escondido. Mas não contem nada, por favor. Minha credencial? Foi prometida para o sábado de manhã. Mas eu conto isso depois, em minha próxima nota.
E para você, leitor do
RA, que ficou com vontade de ouvir os solos de
Michel, saiba que ele estará amanhã, grátis, no
Bossa & Jazz do
Iguatemi. Toca junto ao
Bocato. Apareça. Aqui em baixo você ouve o spot de rádio (antes!) e pega os detalhes.
ps: infelizmente, não dá pra colocar som aqui no blog.Clicando no link do rádioagência ao lado, vc acha o spot...
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Há 15 dias (Post casado com Radioagência)
O tempo passa.Não sei se rápido, não sei se justo, mas passa.Há uma semana, estava eu num quarto de hotel em Hague me preparando para um evento chamado
Gala Dinner. Nome pomposo, sugerindo lauto jantar em noite como a do Oscar.
Fui convidado sim, mas a trabalho: iria acompanhando e fazendo a produção para uma banda jazzística-brasileira do mais alto nível.
Michel Freidenson,
Márcio Montarroyos,
Silvinho Mazzuca e
Duda Neves. Músicos convidados para duas apresentações no tal
Gala Dinner, no temático-chique
Famous Tables.
O Gala nada mais é que uma noite tradicional dentro do
North Sea Jazz Festival, uma noite informal, com um grande show principal e alguns outros pré e pós jantar de gala. O
Gala Dinner não é aberto ao público, só a convidados, geralmente pessoas ligadas à realização do evento - patrocinadores, mídia, etc - principal, que é o festival de jazz.
Acompanhei os nossos músicos talentosos nos dois shows que fizeram no
Gala. Muita gente me perguntava "
como é que eles conseguem tocar isso? É muito complexo!" e, quando eu dizia que eram brasileiros, a explicação bastava. O suingue do jazz+bossa é um mistério aos músicos e público do hemisfério norte. Nosso tesouro. O show principal, com
Elvis Costello, foi considerado 'frio' pelo público. Mr Senders, da organização, me disse que era culpa dos poucos ensaios - apenas quatro - e que, no dia seguinte, na abertura do
North Sea,
Elvis Costello e a Metropole Orchestra estariam mais 'afiados'.
Eu falei rapidamente com
Elvis antes dele entrar no palco. Me perguntou se eu era italiano, eu disse 'brazilian'. Ele riu. Suíngue sempre resolve.
Michel Freidenson Brasilian Jazz Quartet estava lá para mostrar isso. Eu volto contando ainda hoje sobre a apresentação 'suingada' deles na abertura do festival.
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